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neurotóxicos
às vezes preciso
ir embora de mim
deixar-me ficar
sem dor
sem pensar
sem pesar
sem pesar
sem me sentir
voar
sem sentir
planar
vagar com vagar
divagar devagar
voltar quem sabe
quando a dor acabar
Por Celina Portocarrero - Neurotóxicos
Peço desculpas aos meus amigos visitantes, estou escrevendo um romance que está consumindo todos os meus dias, prometo que publicarei alguns trechos do livro em minha página para não abandoná-los e aproveito para colocar um pouquinho de doce na boca de todos, quem sabe quando publicá-lo eu venda uns dois ou três???
Aguardem...
Escrito por MIM às 11h51
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Segrêdo
E eu para esconder o riso deste seu gozo môco, escondi-me entre meus dias evitando te encarar, baixando os olhos, mordendo os lábios, trocando de idéia inesperadamente, aumentando a voz para encerrar certos assuntos...
Pálida, não entendi o exagero de suas reações, em franco discurso, encaixando o diafragma e empostando a voz mais que uma vez, como se toda a verdade do mundo contivesse em poucas palavras e que viessem exclusivamente de você, burlescamente hoje se cala diante de minha comedida presença...
Lógico que fingi satisfação, certa de que você e eu iríamos nos perdoar e que você nem desconfiaria absorto entre seus próprios gemidos de isolado prazer.
Mas a verdade perneia sem convite em nossas lembranças, desmoronando sua estima, deixando-nos cúmplices, ficando entre nós este clima espesso que se tornou matéria que levanta os muros que nos desagrega sorrateiramente...
Escrito por MIM às 15h34
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Dia Internacional da Mulher
Pryscila é uma mulher talentosíssima e além de tudo, linda!! Tem um blog de humor precioso!! Visito-a com frequência e as vezes faço alguns comentários, como todo mundo, e não é que um deles virou tirinha???
E pra melhorar está em exposição no Avenida Club na rua Pedroso de Moraes.
Confiram seu link ao lado: Pryscila Artista

Tirinha da Amely em exposição no Terça Insana. Agradeço à Madame Mim por esta tirinha!
Agradeço a Pryscila por esta honra...
Escrito por MIM às 11h47
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MARILIA
Marília não quer ser modelo, atriz ou dançarina. Nunca quis ser bailarina. Tem uma beleza doente, destas que dói na gente como doce de leite em dente cariado.
Marília não gosta de feriado, só de dia de finados, ela combina vermelho e preto em seus bordados e levanta a saia pros criados.
Marília freqüenta velórios sozinha, sem companhia e observa atentamente dentro do caixão a posição da mão, o roxo dos lábios e das unhas, a decoração, gosta de tocar no rosto gelado, sentir os odores de putrefação misturados ao perfume de flores e velas.
Marília beija a boca do defunto, grita, diz querer ir junto, mas nunca assiste ao enterro, sai pelo cemitério em passeio, visita lápides, faz obra de caridade, rouba vasos de um morto e coloca em mármore de outro. No final do dia, Marília cola em seu diário anúncios de obituário e ao seu lado a foto do sujeito que subtraiu do seu jardim de cruzes. Antes de dormir e apagar as luzes, cruza os dedos e pede pra ter pesadelos...
Hoje é dia de festa, Marília faz dezoito anos, sua mãe já fez os seus planos: - decorou a casa e chamou a família e amigos, Marília tomou providências: - enterrou no jardim todos os seus vestidos coloridos...
Ela tem um jeito esquisito, diz falar com o espírito de um menino, que ao contrário de outras fotos, deixa-a em cima de sua penteadeira, esta noite disse-lhe dançar com ele a noite inteira e promete-lhe sua mão.
Desce pra sua festa, senta-se frente à porta e espera seu pretendente. A noite passa de mansinho, seus olhos não desprendem da entrada, por onde saem também seus convidados, sua mãe se retira cansada, Marília fica sentada e de repente a porta escancara lentamente, buscando a sua mão delicada, ele puxa-a da cadeira e saem pela porta deixando para trás o corpo da menina morta...
Escrito por MIM às 12h51
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Pouco
Esta cerca que nos separa de boa educação, de abraços fraternais, escondidos sentimentos carnais, distribuindo arame farpado, por cima desta trincheira aberta, que não passo desta linha reta que desvia nossos olhares, quando esbarram nos meus olhos suas setas, que indicam intenções, mas não caminhos, neste coração entupido de tanta contenção, intumescendo a cada dia que controlo palpitações, fecho poros, distraio glândulas sudoripas e minha mão gelada destoa do fogo que espalha em meu rosto sem máscara...
E quando palavras se chocam e perco a rota do assunto, que o melhor mesmo é ser mudo e te olhar em detalhes, pra descobrir onde cabe a minha confissão que guardo de um jeito escondido, no peito, a mais de uma década, em arquivo zipado, estreito pedaço de minha aflição...
Você não consegue decifrar meu sorriso amarelo, quando você leva a sério algum novo amor ou me confessa escondido um interesse específico, fora deste universo que se formou em torno de nossos assuntos? Você não percebe meu desconforto, minha falta de novidades, tua inclusão em meus planos, tua incerteza, meus enganos, nesta amizade constante de anos, estreitando laços, contando teus passos... Você não nota que não desbota nossa fotografia em cima de minha escrivaninha?
O que me acode é a fantasia que nas entrelinhas da sua canção preferida, há um meio tom composto especialmente para esta minha sede de ser correspondida, que assopre devagar a ferida, que me acolha, que não te afaste e pra mim este pouco já baste...
Escrito por MIM às 11h47
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