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O texto que vem a seguir faz parte do romance que não possui título e está sendo confeccionado dentro do meu PC.
Na verdade o livro foi escrito em dezoito dias, porém, os personagens inquietos do meu romance, não ficaram satisfeitos com o seu final e protestaram.
Me visitaram várias vezes e puxaram meus pés em noites de verão, assoprando friamente meus ouvidos, decidiram não me deixar em paz...
Por isso, depois de muita briga resolvi voltar ao PC e recortar os trechos insatisfatórios...
Este trecho foi censurado e totalmente modificado, aqui segue uma das partes proibidas do livro que publicarei aos poucos conforme for alterando o texto e mudando a história... Boa leitura...
Escrito por MIM às 14h06
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O ROMANCE
Fora a primeira invasão e a primeira vez que vieram buscá-lo, os enfermeiros tomaram um choque ao assistir tal visão, assim como se tivessem entrado em um cano de esgoto, a cena toda beirava ao caos, além de um cheiro insuportável, o estado em que se encontrava o interior do apartamento era digno de pesadelos para quem assistira o louco deploravelmente abandonado pela dignidade humana, barbudo, cabelos desgrenhados, olhar perdido e com o corpo coberto de chagas.
E tudo começou meses antes, quando o zelador trazia seu prato de cada dia, para saciar sua fome pontualmente meio-dia, depois de seu almoço, como qualquer louco faria, os restos deixava sobre a mesa, que após algumas crises, que somente o louco, se pudesse, narraria, espalhavam-se também pelo chão.
Após alguns meses de acúmulo de restos, o cheiro de azedo chamou o bando que percorria as ruas do bairro do centro velho, esta invasão criou buracos nas paredes e a ferocidade de tantas garras e dentes destruiu também, o fio da geladeira antiga, que apesar de velha, ainda funcionava, provocando o estragar de coisas que estavam em seu interior.
O borbulhar desta fermentação escorreu pela cozinha, depositou-se pelas mesas, em volta da mesa da sala de jantar tomando conta de todo o apartamento.
A partir de então, o louco não mais sozinho vivia, dividia sua cama, seu banheiro, a comida do almoço e as frestas do sofá com uma multidão de seres roedores, negros, marrons e brancos, sempre em movimento, rastejando...
À noite seus grunhidos já estavam a tirar-lhe o sono, e ao abrir os olhos encarava dezenas de pares de pequenos olhinhos à sua espreita, em cima do guarda-roupa, na penteadeira, refletindo no espelho, ao lado no criado mudo, roçando seus brancos cabelos com suas caudas nojentas, em seu travesseiro, entre as cobertas mijadas, que aos poucos carcomiam suas costas e nádegas, abrindo buracos cheios de sangue e pus...
Depois do choque dos enfermeiros, veio a revolta, quem era responsável pelo louco? Como podia um ser humano viver daquele jeito insalubre? Onde estavam os filhos desse senhor e o que ele fazia sozinho em tal estado?
No meio de tanta balbúrdia dos enfermeiros afugentando os horripilantes ratos que insistiam em correr por todos os lados, aparece na porta do apartamento um rapaz de idade ignorada, que possuía uma estrutura frágil de jovem e olhar de velho, contrapondo aos cabelos de cor também indefinida, grudados na cabeça com uma pasta que não se sabia, gordura ou gel, vestido como um velho e arcado como tal, dizia-se sobrinho do velho... Todos se entreolharam e começou uma discussão, gritos de ameaça de denúncia por maus tratos, queriam no íntimo linxá-lo...
Impedidos pelo zelador que conhecia a família em incontáveis anos, interpelou em favor do velho: - Vamos socorrer o coitado, depois tomamos providências... E isso foi feito.
Após a primeira invasão vieram outras sucessivas e conseqüentes da primeira...
Escrito por MIM às 14h00
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