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POLOS
Pouco importa a chuva que destaca círculos em nossas roupas, se raios de sol vitalizam escaninhos de nossos corações, pouco importa, não há porões, a obscuridade em nossa retina foge aos olhos de lobo que cintilam em árduo desejo objetivo, de fogo destinado a descorticar nossos medos,
E o quanto eu fugi deste dia, abscôndita em fantasias, criando mundos paralelos, em planetas distantes frios, fios pra me segurar, pedaços de armaduras, filtro solar, e foi assim em tarde distraída, afrouxei minha guarida, invadida de sua incontinente alegria, não forçou a porta, não derrubou trincheiras, somente surgiu, se materializou, e pouco importa o que havia fazendo, tudo está fora de lugar e só cabe um sentimento, um desejo de sofrer sem fim...Mas pouco me importa... Não há mais porta e agora você já pode entrar...
Escrito por MIM às 12h32
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TROMBOEMBOLIA
Um pequeno ponto de si desprendeu-se em alucinada carreira por entre seus interiores; pouco se sabia de seu paradeiro, viajou sob estreito caminho tortuoso, borbulhou seus líquidos, escapou às paredes e estancou o fluxo perto do coração, não porque faltasse-lhe emoção, seu excesso é que lhe roubou o ar, lhe roubou pedaços vitais, emoções em demasia, sentimentos colados em opressiva friagem deste mundo vil...
Hoje exercita seus ares, desentope caminhos e rareia sua lava quente e densa, sob doses diárias e únicas de pequenos comprimidos de realidade...
Também passou a apreciar pássaros, contar cometas, apreciar o instante dentro do instante, aquele que passa mais lento e que é mais intenso, presta mais atenção na luz do dia e na paz da noite e faz longas, longas caminhadas por um bairro, até hoje, estranho a si...
Escrito por MIM às 14h34
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